
Fora da disputa pela presidência da Câmara de Cuiabá, a atual presidente Paula Calil (PL) admitiu ao
que a tentativa de viabilizar sua reeleição provocou tanto desgaste dentro do Legislativo que não quis mais insistir na mudança do Regimento Interno para permitir sua recondução. A decisão encerra a articulação que, nas últimas semanas, colocou a liberal no centro da disputa pela Mesa Diretora.
Era esperado que, na sessão de terça-feira (29), fosse pautado um projeto de resolução que alteraria o entendimento da Casa sobre uma eventual reeleição, mas a avaliação do grupo era de que não havia segurança sobre o número de votos necessário para aprovar a mudança regimental, que seria 14. Mesmo com decisão judicial que afastou a exigência de dois terços para a alteração e reduziu o quórum para maioria simples, o projeto não foi colocado em votação.
“Foi descartado pautar o regimento, houve muito desgaste. Eu não quero mais. Eu falei para o grupo: nem eu quero. Acho que dentro do grupo, pode ter outros pretendentes. Eu estou com o grupo desde o início, ocorreu tudo tranquilamente”, afirmou Paula ao
.
A declaração ocorre após o grupo que sustentava sua candidatura decidir, em jantar, lançar Dilemário Alencar (União) como cabeça da chapa.
A presidente, que assumiu o comando da Câmara em 1º de janeiro de 2025 com uma chapa formada exclusivamente por mulheres, chegou à disputa deste ano inicialmente como nome do grupo ligado ao prefeito Abilio Brunini (PL), que teve papel central na articulação que garantiu sua eleição.
O cenário, porém, mudou ao longo da corrida pela nova Mesa. A possibilidade de recondução era barrada pela regra vigente na Câmara, e a tentativa de alterar o Regimento ganhou força apenas na reta final da articulação. Enquanto Paula passou a trabalhar pela mudança, Ilde Taques (Podemos) avançou na construção de sua própria chapa e passou a consolidar apoio entre os vereadores.
A tentativa de colocar a alteração regimental em votação nesta terça-feira acabou não prosperando. O texto sequer foi pautado, em meio à avaliação de que o grupo não tinha segurança sobre os votos necessários para aprovar a mudança. O movimento acabou expondo a dificuldade de sustentar a candidatura de Paula dentro do próprio Legislativo.
Agora, a presidente diz que prefere deixar a disputa e permitir que o grupo escolha outro nome.
“Para mim é tranquilo todo esse processo. O Ilde busca a presidência, para mim, é tranquilo. E eu posso dizer mais: também tem um outro grupo que também é presidenciado para poder disputar a eleição da Mesa. Qualquer um é presidenciado, qualquer vereador que é eleito é presidenciado para disputar”, afirmou.
Na prática, o grupo que sustentava Paula retomou o plano que já vinha sendo discutido nos bastidores: Dilemário como alternativa caso a mudança do Regimento não avançasse. O vereador passou a ser oficialmente o cabeça da chapa na noite de terça-feira.
Apesar de reconhecer o desgaste, Paula evita tratar a saída da disputa como derrota política e afirma que deixa o processo sem romper com o grupo que a acompanhou desde o início. “Sim, para mim é tranquilo. Saio de cabeça erguida”, disse.
Com Dilemário no comando da articulação, o bloco reúne atualmente 13 vereadores e precisa buscar pelo menos mais um voto para chegar aos 14. Do outro lado, Ilde articula uma composição que reúne 15 parlamentares.
O grupo de Dilemário é formado por Dilemário Alencar, Cezinha Nascimento, Wilson Kero Kero, Marcus Brito, Demilson Nogueira, Marcrean dos Santos, Mário Nadaf, Paula Calil, Samantha, Tenente-Coronel Assis, Lemes, Ranalli e Kassio Coelho.
Já o grupo de Ilde reúne Ilde Taques, Adevair Cabral, Baixinha Giraldelli, Chico 2000, Jeferson Siqueira, Dídimo Vovô, Maysa Leão, Eduardo Magalhães, Daniel Monteiro, Alex Rodrigues, Katiuscia Mantelli, Drª Mara, Sargento Joelson, Michelly Alencar e Maria Avallone.
A eleição da Mesa Diretora está marcada para 6 de outubro.