Quarta, 30 de Setembro de 2026

Medeiros conta ao irmão de ministro que evita Janaína para não perder seu eleitor “ora para alienígena e bebe detergente”

Áudio completo coloca frase polêmica no contexto da estratégia eleitoral narrada pelo próprio candidato

30/09/2026 às 09h43
Por: Redação
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Medeiros conta ao irmão de ministro que evita Janaína para não perder seu eleitor “ora para alienígena e bebe detergente”

O que José Medeiros (PL) classificou como uma “piada de mau gosto” ganha outro peso com a divulgação do áudio completo. A íntegra mostra que a frase sobre o eleitor que “ora pra alienígena e bebe detergente” foi usada pelo candidato ao Senado durante uma explicação sobre estratégia eleitoral: Medeiros dizia ao prefeito de Diamantino, Chico Mendes (União Brasil), que não poderia aparecer “abraçado” com Janaína Riva (MDB) porque temia ser abandonado por sua própria base. O áudio completo foi divulgado nesta terça-feira (29.09).

A sequência da gravação é reveladora porque apresenta o contexto da declaração. Depois de definir seu eleitor dessa maneira, Medeiros explica o que acreditava que aconteceria se esse mesmo eleitor o visse ao lado de Janaína.

“Você sabe que o meu eleitor é aquele eleitor que ora pra alienígena e bebe detergente, né? Esse eleitor, Chico, ele no momento que ele vê eu abraçado com Janaína, ele me larga. Ele me larga e vai pra Galvão, vai pra Mauro, vai pra qualquer outro, né?” E conclui: “Então, eu não preciso atacar Janaína, mas eu não posso estar abraçado, eu não posso estar na foto, né?”

A íntegra coloca a declaração em um cenário mais amplo do que aquele apresentado inicialmente pelo candidato ao reagir à repercussão. A expressão não aparece solta em uma conversa sem relação com a campanha. Ela integra justamente o argumento utilizado por Medeiros para explicar seu cálculo sobre o comportamento de quem vota nele. Ouça áudio no final da matéria. 

É o próprio candidato quem associa a descrição depreciativa à reação eleitoral que esperava de sua base.

O problema era estar na foto

A conversa foi enviada a Chico Mendes, irmão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Antes de falar sobre Janaína, Medeiros conta que, cerca de três meses antes, havia pedido uma agenda com Gilmar. Segundo ele, pretendia “tentar a gente vacinar um pouco sobre esse processo eleitoral”.

Em seguida, passa a analisar o cenário da disputa e reconhece a força eleitoral de Janaína. “Como a Janaína é uma candidata que provavelmente vai vencer a eleição aí, que tem uma desenvoltura muito boa”, afirma.

Medeiros diz ainda que ela seria a “adversária a ser batida” por outros candidatos e cita Carlos Fávaro e Mauro Mendes.

O deputado explica que estava em uma situação delicada porque Janaína é nora de Wellington Fagundes, candidato do PL ao Governo. Segundo ele, não teria como atacá-la. Medeiros também afirma que, naquele momento, não queria a emedebista na coligação.

A preocupação, conforme relata na gravação, era outra: ser visto ao lado dela. É nesse ponto que aparece a referência ao eleitor que “ora pra alienígena e bebe detergente”.

Longe da foto para não perder votos

A íntegra revela o cálculo descrito por Medeiros, não precisava atacar Janaína, mas acreditava que também não poderia demonstrar proximidade pública com ela.

Segundo sua própria avaliação, uma fotografia dos dois juntos seria suficiente para provocar a saída de eleitores de sua candidatura. “Ele me larga”, diz Medeiros.

E chega a apontar para onde esses votos poderiam ir: “vai pra Galvão, vai pra Mauro, vai pra qualquer outro”.

O trecho acrescenta contexto importante à controvérsia. Medeiros não estava apenas fazendo uma referência genérica ou contando uma anedota. Ele falava de voto, comportamento eleitoral, adversários e da imagem que deveria apresentar à própria base.

Foi nesse raciocínio que escolheu definir parte de seu eleitorado como pessoas que “oram pra alienígena e bebem detergente”.

Da “piada de mau gosto” ao contexto completo

Após a divulgação dos primeiros 11 segundos, Medeiros classificou a própria declaração como uma “piada de mau gosto”, alegou que a gravação havia sido editada para modificar seu sentido e afirmou que não pediria desculpas. “Eu não vou nem pedir desculpa pelo que falei”, declarou.

O áudio completo permite agora que a justificativa seja confrontada com a conversa inteira. A gravação mostra o que veio antes e, principalmente, o que veio depois da frase.

Medeiros diz “esse eleitor, Chico” e imediatamente explica o comportamento que atribui a ele. Se o visse abraçado com Janaína, abandonaria sua candidatura.

A íntegra, portanto, permite ao próprio eleitor avaliar se a definição usada pelo candidato cabe apenas na explicação posterior de uma “piada de mau gosto” ou se revela a forma como Medeiros descreveu sua base ao discutir estratégia eleitoral longe dos palanques.

STF também apareceu nos bastidores

Este não foi o único áudio da conversa de Medeiros com Chico Mendes a chegar ao público. Em outra gravação, o candidato afirmou que havia orientado sua equipe de marketing a retirar dos textos de campanha referências ao STF. “Eu não ataco o STF, viu, Chico”, disse.

Medeiros relatou ter determinado à equipe: “quero que corte tudo”, acrescentando que não gravaria textos com menções à Corte. Na mesma conversa, abriu uma exceção para Alexandre de Moraes, afirmando que poderia ser procurado “até no meio da noite” para criticá-lo.

Depois da divulgação, Medeiros confirmou a autenticidade desse áudio e afirmou que sua posição era preservar o Supremo enquanto instituição.

Agora, o áudio completo sobre Janaína acrescenta outra camada aos bastidores da campanha. Medeiros relata ter buscado uma agenda com Gilmar Mendes para, nas palavras dele, “vacinar um pouco sobre esse processo eleitoral”; reconhece a força eleitoral de Janaína; explica por que não queria aparecer ao lado dela; e descreve em termos depreciativos o eleitor cuja reação dizia temer.

A íntegra tira a frase de 11 segundos do isolamento. E o contexto não apaga “alienígena” nem “detergente”. Mostra por que Medeiros pronunciou essas palavras. Ele estava explicando como acreditava que seu próprio eleitor reagiria diante de uma fotografia de campanha.

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