
A sessão da Câmara Municipal de Diamantino (a 209 km de Cuiabá) terminou em confusão e bate-boca nessa segunda-feira (13.10). O ex-secretário de Estado Eder de Moraes deixou a plateia e tentou subir à tribuna para defender a filha, a vereadora Dra. Monnize Costa (União), relatora da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga contratos da Associação Médica Especializada (AME) com o município.
O tumulto começou após a leitura do relatório final da CPI, que citava o nome da vereadora Michelle Carrasco (União) por supostas ligações com a empresa investigada. Inconformada, Michelle subiu à tribuna e negou qualquer envolvimento, afirmando que as acusações eram infundadas.
“Eu nunca tive parente na Prefeitura, nem no hospital. Nunca prestei serviço por meio de empresa. São provas rasas e infundadas ao meu respeito. Eu desafio alguém a mostrar que pedi algo ilícito”, declarou a parlamentar.
Michelle também mencionou o histórico político da família de Monnize, o que acirrou os ânimos. "Eu nunca peguei dinheiro público e deixei gente morrer na fila. Meu pai não é condenado e nem minha família nunca foi condenada. Nunca respondi processo”, declarou a vereadora.
Em resposta, a relatora da CPI afirmou que o trabalho da comissão foi “sério e embasado” e que as denúncias apresentadas serão apuradas nas “esferas adequadas”.
“A CPI cumpriu seu papel. Quanto a processos, cada um responde por seu CPF e pelos seus atos”, rebateu Monnize.
O clima ficou ainda mais tenso quando Monnize acusou a colega de ter ofendido sua honra e a de sua família.
“Eu não vou permitir que faltem com respeito comigo, muito menos que, sob o pretexto de imunidade parlamentar, minha honra ou a de qualquer membro da minha família seja atingida. Quando a vereadora subiu à tribuna e disse que não tem pai condenado, ela feriu a minha honra. Se houver reincidência, tomarei as devidas providências. Minha fala sempre foi pautada no respeito. Em nenhum momento, nesses dez meses de mandato, desrespeitei qualquer vereador, nem houve contra mim nenhuma comissão de quebra de decoro parlamentar”, afirmou Monnize.
Michelle, por sua vez, voltou à tribuna e citou matérias jornalísticas sobre Eder de Moraes e sobre a própria vereadora, mencionando inclusive o processo de cassação de mandato que Monnize enfrentou em julho deste ano, por suposto caixa dois e abuso de poder econômico nas eleições de 2024.
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Nesse momento, Eder de Moraes, que acompanhava a sessão da plateia, interveio aos gritos.
“Foi ferido o regimento interno a partir do momento em que a vereadora ataca quem está na plateia. Eu tenho direito de usar a tribuna para defender a minha honra”, disse o ex-secretário.
Eder tentou subir à tribuna, mas foi contido e teve o pedido negado pelo presidente da Câmara, Ranielli Patrick Arruda Lima (PL), que precisou suspender a sessão.
“O senhor tem todo o direito de se defender, mas precisa protocolar um requerimento para a Mesa Diretora deliberar. Pedimos respeito e que o senhor se contenha”, afirmou o presidente.