
O apresentador Jimmy Kimmel retornou ao comando de seu programa noturno na ABC, seis dias após a suspensão imposta pela emissora e pela controladora Disney em razão de uma piada polêmica sobre o assassinato do evangelista Charlie Kirk.
No monólogo de 17 minutos que abriu a edição, Kimmel agradeceu a apoiadores de diferentes espectros políticos, lamentou a piada que levou à punição e fez referências aos ensinamentos de Jesus ao comentar o perdão concedido por Erika Kirk ao assassino de seu marido.
“Nunca foi minha intenção menosprezar o assassinato de um jovem. Não acho que haja nada de engraçado nisso”, declarou Kimmel, visivelmente emocionado. Ele acrescentou que mantém amizade com pessoas de diferentes posições políticas e afirmou que o atirador “era uma pessoa doente que acreditava que a violência era a solução, e não é”.
Nos momentos finais, o apresentador destacou o gesto de Erika Kirk, viúva de Charlie Kirk: “Erika Kirk perdoou o homem que atirou em seu marido. Ela o perdoou. Esse é um exemplo que devemos seguir”, disse. Em seguida, afirmou: “Se você acredita nos ensinamentos de Jesus, como eu, lá estava. É isso — um ato altruísta de graça, o perdão de uma viúva em luto. Me tocou profundamente e espero que toque muitas pessoas”.
O caso ocorreu após declarações do comissário da FCC (Federal Communications Commission), Brendan Carr, que em um podcast disse que poderia “fazer isso do jeito fácil ou do jeito difícil” em relação a possíveis sanções. A fala coincidiu com a decisão da Disney de suspender o programa, ainda que a empresa não tenha explicado os motivos.
Carr negou, nesta semana, que tenha ameaçado diretamente o apresentador: “O que eu disse na semana passada é que, quando surgem preocupações sobre distorção de notícias, há uma maneira fácil para as partes lidarem com isso e resolverem”, declarou ao portal Deadline. Ele acrescentou que a FCC não emitiu qualquer juízo sobre o caso.
Kimmel também agradeceu a líderes conservadores como Ben Shapiro, Clay Travis e Candace Owens, além dos senadores Mitch McConnell, Rand Paul e Ted Cruz, que manifestaram apoio. O apresentador disse que a situação evidenciou um ponto comum entre diferentes correntes políticas: “Talvez o lado positivo disso seja que encontramos uma coisa em que concordamos, e talvez até encontremos outra”, afirmou, de acordo com o CrossWalk.
O senador Ted Cruz criticou a primeira declaração de Carr, classificando-a como perigosa: “Isso é exatamente o que um mafioso disse entrando em um bar e dizendo: ‘Que bar legal vocês têm aqui, seria uma pena se algo acontecesse com ele’”, comparou. O republicano alertou que tal postura poderia abrir precedentes para o cerceamento da liberdade de expressão no futuro. “Seguindo esse caminho, chegará o momento em que um democrata vencerá novamente… eles nos silenciarão. Eles usarão esse poder, e o usarão implacavelmente. E isso é perigoso”, concluiu.
Ao refletir sobre a liberdade de expressão, Kimmel afirmou ter conhecido colegas de outros países que enfrentam prisão por criticar governantes: “Nossa liberdade de expressão é o que eles mais admiram neste país. A interferência do governo na liberdade de expressão não é legal. Isso não é americano. Isso é antiamericano”, disse.